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Desmonte Ambiental no MS: Cerrado em Risco pela sanção de Lula à Lei 14.876

Atualizado: 11 de jun.

Desde 2010, Mato Grosso do Sul perdeu 4.882,05 km² de Cerrado, enquanto "desertos verdes" transformam a paisagem do estado.


A recente sanção do presidente Lula, excluindo a silvicultura da lista de atividades poluidoras, pode colocar ainda mais em risco um dos biomas mais ameaçados do Brasil.


A nova lei modifica a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938 de 1981) e passa a excluir o cultivo de eucalipto, entre outros, da lista de atividades consideradas potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais. O texto atual da Lei nº 14.876, de 31/05/2024, foi sancionado sem vetos pelo presidente Lula. Esta medida é vista como mais uma peça do desmonte ambiental promovido pelo Congresso e Senado, com o apoio de um governo que prioriza a pauta econômica em detrimento da agenda ambiental.



A alteração beneficia grandes produtores de celulose e indústrias relacionadas, como Klabin, Suzano, Bracell, Arauco e International Paper, todas com operações em Mato Grosso do Sul.


O conceito de "deserto verde" refere-se a áreas extensas de monoculturas florestais, como plantações de eucalipto ou pinus, que, embora aparentem ser verdes e produtivas, carecem de biodiversidade e sustentabilidade ecológica. Essas plantações frequentemente substituem ecossistemas naturais ricos em diversidade biológica, resultando em solos empobrecidos, reduzida capacidade de suporte à fauna local e impactos negativos nos ciclos hídricos e na saúde do solo. O termo "deserto verde" ressalta a ironia de uma paisagem verde que, na realidade, se comporta ecologicamente como um deserto.


Impactos na Mata Atlântica e Caatinga


O Cerrado é um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), o bioma perdeu 11.011 km² de vegetação nativa no último ano, contra 10.688 km² entre agosto de 2021 e julho de 2022. O mapa de potencial expansão do plantio de eucalipto também inclui áreas da Mata Atlântica e Caatinga.

O senador Alvaro Dias, um dos grandes entusiastas da medida, fez campanha pelo setor. Vale lembrar que Alvaro Dias foi o candidato que mais arrecadou recursos na campanha de 2022, com cerca de R$ 5 milhões declarados à Justiça Eleitoral.






Ameaças ao Rio Paraná: Erosão Hídrica e Manejo Florestal em Foco


Um estudo da Universidade Federal de Lavras destaca graves ameaças ao Rio Paraná, um dos mais importantes cursos d'água da América do Sul. A erosão hídrica emergiu como a principal forma de degradação ambiental na bacia do rio, especialmente em regiões tropicais. A pesquisa, conduzida na região de Três Lagoas, revela que o desgaste do solo causado pelas chuvas intensas é uma preocupação crescente.


Na foto: Unidade da Suzana em Três Lagoas com emissários aparentes de resíduos industriais no Rio Paraná.


A erosividade das chuvas na região é alarmante, caracterizada por tempestades convectivas que ocorrem principalmente nos períodos mais chuvosos do ano. Esses eventos climáticos resultam em uma perda significativa de solo, impactando diretamente a fertilidade e a produtividade das terras agrícolas e florestais.


O estudo indica que as práticas de manejo florestal adotadas na região, como preparo do solo, tratos culturais e colheita mecanizada, têm um papel crucial na exacerbação da erosão. Solos com menor quantidade de argila são particularmente vulneráveis, apresentando maiores perdas de solo e água. A falta de cobertura vegetal adequada durante o ciclo de cultivo do eucalipto, por exemplo, contribui para a intensificação desses processos erosivos.


A conservação do solo e da água é essencial não apenas para a proteção do ecossistema do Rio Paraná, mas também para garantir a sustentabilidade econômica das atividades agrícolas e florestais na região. A implementação de medidas de manejo sustentável é crucial para enfrentar esses desafios ambientais e preservar um dos recursos hídricos mais valiosos do Brasil.


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